segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

2ª Tarefa Análise crítica ao Modelo de AA

ANÁLISE CRÍTICA AO MODELO DE AUTO-AVALIAÇÃO DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES


Se lançarmos um olhar sobre o passado recente da criação das Bibliotecas Escolares, verificámos que se percorreu um longo e sólido caminho, em tão pouco tempo de vida. Construíram-se os alicerces, levantaram-se as paredes, apetrechou-se a casa, formaram-se profissionais, delinearam-se objectivos e concretizaram-se acções, tudo em prol da primazia do usuário. Sabemos que hoje os desafios são maiores do que os de ontem, tudo o que se fez afigura-se insuficiente face à pressa exigida pela sociedade da informação e do conhecimento, às consequentes necessidades e exigências do utente. Então, cumpre-nos, a nós, professores bibliotecários, estar sempre na vanguarda, num aperfeiçoamento contínuo, fazendo com que as bibliotecas sejam uma efectiva necessidade para alunos e professores, entendendo, sempre como objectivo último da biblioteca o de contribuir para a qualidade do ensino e a melhoria das aprendizagens. Considero, assim, hoje, pertinente e essencial a aplicação do Modelo de Auto - Avaliação das Bibliotecas Escolares, afigurando-se como um instrumento pedagógico capaz de contribuir para o sucesso educativo e o êxito das aprendizagens.
Pensando a biblioteca escolar não como um fim em si mesmo, mas como o centro nevrálgico do conhecimento que serve a escola, a sua missão e objectivos, a avaliação de desempenho desta estrutura educativa deve centrar-se na análise dos resultados e evidências através dos quais exerce o seu papel no seio da escola, ou seja, pretende-se que, para além de uma avaliação intrínseca (praticamente a que se fazia), se focalize a reflexão numa outra dimensão, centrada sobretudo nos resultados e evidências através dos quais é capaz de revelar e demonstrar o seu impacto e contributo para as aprendizagens. A chave da avaliação reside na aferição dos resultados e não apenas nos meios que os suportam.
Sem dúvida, que avaliar é atribuir uma valoração. A ideia do avaliar ainda está carregada de conotações negativas, como se somente fosse avaliado aquilo que não está a funcionar bem. Muitos têm ainda alguma dificuldade em lidar com esse processo. Rebecca Raposo justifica tal facto pelo processo estar ainda muito ligado ao erro, ao fracasso, e consequentemente à punição. Urge entendermos a avaliação como um processo potenciador de oportunidades, de novos olhares, incorporando-o no nosso dia -a -dia.
Considero o acto de avaliarmos uma acção de extrema importância em qualquer tarefa que desempenhemos, pois permite analisar o que fizemos bem, o que poderia ainda ser melhorado e o que correu menos bem; precisamos, assim, nós, profissionais da informação, de consolidar um conhecimento compreensivo, crítico, reflexivo e prospectivo. A acção de avaliar/questionar/problematizar/interpretar/delinear percursos deve, pois, constituir-se como um processo contínuo e encarada como um valor positivo no sentido de se construir o caminho para a excelência.
Hoje, já não é possível trabalhar sem estabelecer conexões transdisciplinares e multidisciplinares. Neste processo avaliativo, é essencial o envolvimento e o comprometimento de todos, professores bibliotecários, equipa, professores e direcção. No entanto, o professor bibliotecário assume aqui um papel chave de liderança de todo o processo. O gosto, a criatividade, a imaginação, o dinamismo, a curiosidade, a capacidade de empreendedorismo, adaptabilidade, exigência, flexibilidade, relacionamento, comunicação, parceria com o outro e a persistência aliadas à capacidade de olhar o presente e perspectivar/prever/antecipar o futuro são qualidades exigidas a um profissional da informação.
Considero deveras indispensável para o desenvolvimento e optimização do trabalho das bibliotecas que se faça uma avaliação apoiada no modelo de auto-avaliação. Considero que a divisão em domínios que o documento apresenta, abarca todas as áreas essenciais que estão inerentes ao trabalho das bibliotecas, constituindo-se como verdadeiros pilares de acções futuras.
Há a possibilidade de se avaliar todos os domínios ao longo dos quatro anos, através da recolha de evidências, indicadores essenciais, que permitem aferir o grau de eficácia dos serviços prestados, a identificação de pontos fortes e fracos que, depois de interpretados, orientarão a tomada de decisões, com vista à melhoria. No entanto, a escola deve adaptar e ajustar o modelo à sua realidade e circunstâncias, de forma a promover as aprendizagens e o sucesso educativo.
Podem afigurar-se como obstáculos o facto deste processo avaliativo constituir novidade para os professores e para a escola, havendo sempre alguma resistência inicial também à mudança e ainda a necessidade de uma sistemática recolha de evidências.
A criação de um Modelo para avaliação das bibliotecas escolares permite dotar as bibliotecas de uma maior visibilidade e assumirem um lugar de destaque, um verdadeiro pólo integrador, aglutinador e disseminador de uma dinâmica cultural que passa a estar por trás de toda a identidade e cultura escolar. Como afirma Ross Todd “A Biblioteca é o bater do coração com significado na escola”.

A formanda,

Anabela Fernandes
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